terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Audio Adrenaline - Raise the banner (levante a bandeira)

Feliz dois mil e catorze!

Cabisbaixo, olha intensamente uma folha de papel e, como num estalo, surge uma palavra: tempo. Nada mais efêmero do que nós mesmos. Nada mais alucinante que o livre-arbítrio. Nada tão desgastante quanto viver. E quem não se desgasta, de que serviu viver? De que serve se resguardar - se for esse o objetivo - e a morte chamar o vento para levarem os planos de uma vida? O sempre é mais confortável! Permita-me dizer que a constância põe em segurança, ao mesmo tempo que põe em cativeiro. Mas eu desejo o sempre. Por que desejar o que será tirado? Eu desejo o sempre. Então, que, nesse ano que já bate à porta como quem está prestes a invadir, aquele que tem poder para mandar regredir a dupla de convenientes - a saber, a morte e o vento - possa permitir que vivamos como quem espera, mas faz algo antes que chegue. E eu só tenho agradecimentos. E que venham mais!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cartas idosas

Ouça, querida! Não vá pensar que não  me precipito. Não, só penso antes que possa fazer. E se o faço sem pensar, acabo me acomodando, porque era para ser. Mas eu sigo sem que haja motivos para voltar e penso em como seria se eu desistisse. Mas, querida, escute mais essa: não te acordes nem um dia sequer sem pensar nas palavras de um velho tolo de poucos dentes e muitos dedos, quando digo: esse dia vai ser o melhor de todos!

Escolha um, e só um, desejo para realizar ainda esse ano!


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Houve algo que não tenha sido adeus nesse ano?

Mofo, amigo meu. Quantos olhos! E eu fui embora, deixei tudo. E não convinha realmente ficar, entenda-me. Eu fiz questão de esclarecer o porquê da minha partida, mas ficaste parado. Não disseste nada. Um "poxa" rasgou o silêncio como com uma serra elétrica. E eu comecei a chorar. Eu te amo, mofo! Não te esqueças dessa indelicadeza andante sem que haja um motivo mais forte para fazê-lo. E eu, mofo, não te limpo da minha memória nem por quinze borboletas num frasco.

Jaci Velasquez - I will rest in You (eu descansarei em Ti)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A nuvem e a estrela

Tem coisas que a gente só sente, não é mesmo? A poesia profunda de uma nuvem lilás no céu escuro de uma noite, paquerando a estrela mais brilhante. O sentimento de manhã que dá quando é tocado um violão. O vento entrando pela janela no fim de tarde como se quisesse me contar a história que fará com que muitos se emocionem. Mas eu não escuto. Eu estou ocupada com meus trabalhos cansativos e com meus textos medíocres. E, quando me é conveniente escrevê-la, ela se abusa e empanca como por vingança. Mas deixe que, um dia, essa cintilante narrativa vai desaguar seja no papel ou no teclado. Ou, quem sabe, voltemos à voz, para que a estrela e a nuvem possam continuar a escrever o seu secreto belo conto.

Jaci Velasquez - Just a Prayer Away (apenas uma oração de distância)

domingo, 15 de dezembro de 2013

Sarah Reeves - Carol of the bells (som dos sinos)

Sem precedentes

"Um coraçãozinho muito pequeno para tanto ódio", mas eu sei porquê: porque o amor ocupa espaço suficiente e o ódio, espaço inconveniente.

Cartas para Paola

"Senta-te que quero contar uma história". E nunca mais levantou. Essa tua franja encaracolada e as minhas tranças embraçadas nunca mais escreveram contos. A tua roupa já não procuro. As tuas botas só não se perderam porque fazem parte de ti. E eu cresci! Era melhor antes. Preocupo-me demais com a minha aparência agora. Mas pega a minha mão e vamos perguntar a Cláudia se ela quer brincar uma última vez.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Bonecas de pano e seus apelos

Talvez eu esteja quebrada! Preciso de conserto. Não posso me distanciar da verdade nem por um minuto porque minha roupinha de boneca se amarrota e começa a se descoser. Um passo que me desvie embaraça meu cabelinho e o meu enchimento começa a querer se desarrumar. Preciso que me mantenham onde estou. Não gosto que me levem de um lugar para o outro. Não permito que me movimentem e me tirem de onde pertenço. Não permito, digo, minha estrutura não permite. Esse sorriso costurado logo se vai com a chegada das mudanças. Eu quero mantê-lo, mas não consigo sozinha. Ou não estou conseguindo ultimamente.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

As últimas palavras

O que dizer no leito de morte? Meio precoce? É nada. Quero pensar nisso antes que chegue a hora, embora saiba que, como quase tudo em minha vida, um suspiro improvisado bastará. Juntem os textos que pouco dizem e deixem que outros leiam e tirem suas conclusões - inconclusivas, claro, porque nunca quis que me decifrassem. Nunca quis que me pusessem sob um microscópio da alma e dissessem o que cada canto dela me faria passar, ou não me permitiria negar. Eu quis que as minhas últimas palavras fossem célebres, dignas de uma reflexão, mas um suspiro é suficiente. E depois, paz. Espero não mudar, porque não quero que façam festa, como os hipócritas dizem que querem, mas, na hora, magoar-se-iam com tal demonstração de alegria diante do nunca mais na terra. Quero que chorem o quanto precisarem, mas que sejam consolados e que sigam em frente até que possam ser dignos de que outros chorem por eles.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lecrae e Anthony Evans - Boasting (ostentando)

Razão pra viver

O que te prende aqui? Que amarras permaneceram intactas? Que correntes não oxidaram com o sal das ondas? Que medíocre sonho falta realizar? Que últimos objetivos vão demorar a serem alcançados e, depois, levados ou devolvidos? O que, em última instância, teria bravura suficiente para agarrar teus pés e seduzir teu pensamento? O quê? Dize-me se o sabes.