quinta-feira, 9 de maio de 2013

Wolô - Adeus heroínas: - Há Deus

"Era a melancolia do cotidiano morno que torneava o torno que só se repetia. E a sede de amor ardia até incendiar o forno. E a aridez era tanta que um simples vapor na garganta gerava a miragem feliz de mil transbordantes cantis.
Veio o degrau do fumo, do cotidiano tonto, do embalo sempre pronto nos becos do consumo. E o consumidor sem rumo voltava pro mesmo ponto. E a ilusão era tanta que a droga tragando a garganta soprava a imagem fugaz de um minutinho de paz.
Veio uma vida tola, de cotidiano asco, pois no pequeno frasco, no bulbo da papoula, no tubo daquela ampola reinava o seu carrasco. E a dependência era tanta que o mínimo nó na garganta forçava na veia as poções, cadeias de suas prisões.
Veio o inconformismo do cotidiano drama, atrás a pobre fama. Na frente, só o abismo; no chão movediço, a lama; no interior, pessimismo. E a solidão era tanta que o mundo apertando a garganta gritava que ele cedeu, berrava que ele se deu.
No beco sem saída deitou-se a céu aberto. A morte já por perto; a vista escurecida, mas, num lampejo de vida, olhou para o lado certo. E a luz do céu era tanta que o grito jorrou da garganta: "Senhor, não se esqueça de mim. Senhor, tenha pena de mim".
O peito arrependido tomou a dose certa. E, numa Bíblia aberta, achou o amor perdido, pois Cristo Jesus liberta o coração oprimido. E a libertação é tanta que arranca de vez da garganta o vício, o resquício, o pó, o trago, o estrago e o nó.
Pois foi crucificado o homem sem defeito que amava Deus no peito. E o pecador do lado que abominava o pecado. "Pecado por nós foi feito". E a morte na cruz era tanta que Cristo o Senhor da garganta doou seu Espírito são. Semente da ressurreição.
Veio uma vida eterna, ressuscitada e nova. E a cotidiana prova é essa fonte interna na vida que Deus governa e ternamente renova. E a transformação é tanta que o próprio Senhor na garganta transborda a mensagem da cruz, convida a beber de Jesus."

Vagamente pensando

Deu vontade de escrever sobre gente. Faltam palavras - ou as tenho, mas falta arranjo para elas. São tão diferentes umas das outras; são tão profundos os seus pensamentos, de umas mais que das outras. Olhar nos olhos de alguém e não conseguir decifrar o que veio à sua mente. Mas ainda que profundos, vagos; ainda que imprevisíveis, efêmeros. Misterioso sonho de ler pensamentos. Pena. Ou não. É até melhor.