segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Como vai o "órgão muscular oco, que bombeia o sangue de forma que circule no corpo"?

Ainda sangra. Ainda pulsa. Ainda acelera por razões tolas. Ainda resiste. E, sem que haja razão explícita, ainda dança.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Leeland - Lift Your Eyes Up (levante os olhos)

Pelo fato de bastar

Basta olhar pra esses teus cabelos adornados por estrelas, admirá-los; basta sentir o aroma dessas cadeiras ao sentarmos; basta contemplar por acidente essa nuvem que é o teu vestido; basta lembrar que os nós dessas tuas palavras são menos doloridos de desatar que os dos teus cabelos, embora eu saiba que nunca me permites tocá-los quando estão revoltosos; basta pensar no movimento de tuas sobrancelhas ao conversar, rir, pensar, ou tentar me decifrar; basta ouvir o teu balbuciar; e eu já sinto uma necessidade enorme de apontar o brilho do sol para ti, mesmo sabendo que não necessitas dele, não é verdade?

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Perdoe a fatalidade característica

Todos precisamos de estímulo. Então, se algo nos impulsiona, nos desafia, nos encoraja, que seja valorizado! Eu andei pensando no pôr-do-sol, nas nuvens - como sempre - e percebi que somos empurrados. Sim, digo, somos empurrados todos os dias pelos nossos compromissos, pelas vontades. Talvez quem não tenha razão para viver mereça, melhor, aceite com facilidade morrer. A morte tem seus dedos alongados sobre pessoas sem rumo, pessoas com rumos sem perspectiva. Como somos espuma-de-onda, melhor que façamos com que valha a pena a viagem até a areia.

sábado, 2 de agosto de 2014

A velha lenga-lenga que prende a prosa no ciclo

O afago doce dessa blusa desgastada faz lembrar como as coisas novas são menos confortáveis.

Eu fugi de tudo. Eu quis pôr um remendo, fingindo que havia aceitado. Um coração partido que se nega a sentir dor. E uma música suave põe um nó tão gigantesco no caminho das minhas refeições que a solução é vazar água pelos olhos.
Eu fingi tudo. Quis me convencer de que era apenas diversão e, assim, não me atrapalhava em atar, coser de volta o que restou dos sentimentos. Pois é, só quis.
E agora, só resta aguardar uma absolvição que temo não vir.