domingo, 19 de novembro de 2017

Já não tenho 19

Pegando carona nesse jazz macio,
Depois desses anos a maldade,
Perdeu-se nesse tempo esguio
A moça de tenra idade.

Na pressa de alcançar os espaços,
Moldou-se às paredes
E, com longos passos,
De fazer, amadureceu a sede.

Diante do reflexo que sumiu,
Antes da transformação da vaidade,
Ela acenou amistosa e sorriu,
Porque nele só havia ambiguidade.

Das mãos, os mais lindos laços.
No escuro, nem se comede.
Lembranças dos abraços
É só o que o coração pede.

"Pula comigo?", inqueriu
E o que era cumplicidade
Transformou-se, ainda inicio,
Em, desse amor, a reciprocidade.

Hoje ela pega esse amor que construiu
E, em meio a seus cansaços,
Pode sorrir em serenidade.
É o crime que o amor comete.